segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Versão do projeto de proteção do painel D.J. Oliveira

Ocorreu hoje (21 de setembro de 2009) a reunião com a equipe responsável pela restauração e feitura da estrutura de proteção do mural da UFG de D.J. Oliveira. Foi apresentado uma versão do projeto de proteção do mural, em oito vistas. Como já vimos em posts anteriores, além do projeto de restauração, com a licitação de uma empresa responsável por este trabalho, está envolvido também o de proteção. Ela é de fundamental importância, pois vai ao encontro das necessidades de ver esse patrimônio de nossa universidade e de nosso estado sendo preservado de modo diligente. Essas imagens, geradas por computador, estão passíveis de serem mudadas, já que o projeto envolve uma equipe integrada, por componentes de várias áreas, e que sempre discutem os vários aspectos do mesmo. As previsões de início da obra estão previstas para dezembro de 2009, com finalização prevista para agosto 2010 a obra esteja pronta por inteiro.










Versão do projeto de proteção do mural, elaboradas pela equipe do CEGEF - Centro de Gestão do Espaço Físico/UFG, coordenado pelo professor Marco Antônio. Vista de vários ângulos, diurna e noturna. (imagens: CEGEF/UFG)













segunda-feira, 14 de setembro de 2009

XVIII Simpósio de Estudos e Pesquisas da Faculdade de Educação


Ocorreu no período de 19 a 22 de Agosto de 2009 o XVIII Simpósio da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás. Nosso trabalho intitulado "Conservação de Patrimônio Cultural Artístico e a Formação do Professor de Artes Visuais" foi apresentado na sala sala 242 na manhã do dia 21. A coordenação foi da Professora Edna de Jesus Goya, que também é orientadora no projeto. Durante a apresentação foi mostrado o andamento 1**do planejamento de restauração do Mural da UFG e o blog do projeto, no caso este aqui mesmo. Dado o estado de degradação do mural, os ouvintes não tinham uma idéia clara sobre a obra, mesmo ela estando atrás do prédio, do outro lado da rua. Esperamos que no próximo simpósio os participantes de todo o evento possam ter ao lado o mural, restaurado e disponível para quem quiser vê-lo. O trabalho está nos anais do Simpósio.
1**.Imagem-símbolo do evendo, acompanhada das palavras-guias: Formação, Cultura e Subjetividade.

sábado, 15 de agosto de 2009

Mural: Antes de ontem, ontem e hoje – Pequena introdução

O nosso blog tem como foco principal o acompanhamento e documentação do processo de restauração do mural da UFG, de D.J. Oliveira. Como a arte muralista passou a fazer parte da arte em Goiânia?
Em primeiro lugar precisamos nos lembrar do percurso da arte no século XX, com as vanguardas cubistas, surrealistas, futuristas, etc. Essas vanguardas, do início do século passado, tinham a forma como uma de suas maiores preocupações. Todas essas investigações formais iriam influenciar um outro movimento também desse século - o Muralismo. As pinturas em parede são comuns em várias culturas e sociedades e encontramos referências até nas pinturas feitas em cavernas há milhares de anos. Já são vistos em paredes de templos e tumbas no Antigo Egito, na Grécia, nas cidades do império romano, como Pompéia, e nos afrescos do renascimento.
No século XX, o movimento muralista teve grande força, principalmente no México, com artistas como José Clemente Orozco (1883 – 1949), Diego Rivera (1886 – 1957), David Alfaro Siqueiros (1896 -1974). O Muralismo Mexicano teve forte impacto em toda a América Latina, influenciando vários artistas e tendo estreitos laços com os movimentos da esquerda política. O movimento, no México, tinha temáticas de forte cunho social e ideológico, uma preocupação com os trabalhadores, abordando a exploração capitalista, as origens indígenas e a colonização espanhola.
No Brasil vários artistas foram influenciados por este movimento, como Cândido Portinari, Emiliano Di Cavalcanti dentre outros. Assim as influências do Muralismo se estendem por todo o país, levando muitos artistas modernistas a possuírem mais uma variante técnica em sua obra. D.J. Oliveira é um exemplo: pintor e gravador teve influência tanto dos muralistas mexicanos quanto de Cândido Portinari.

Alguns murais e muralistas:

José Clemente Orozco
Nasceu em 1883, em Ciudad Guzmán, Jalisco, no México e morreu no México, em 1949. Frequentou a Academia de Bellas Artes de San Carlos e a Escuela Nacional Preparatória, no curso de arquitetura. Sua obra aborda a revolução, o povo e o sonho de se construir uma sociedade nova.

Deuses do Mundo Moderno, detalhe do mural O Épico da Civilização Americana. Detalhe do mural de José Clemente Orozco na Biblioteca Baker, Dartmouth College, Hanover, New Hampshire.








Essas pinturas no mural (aqui um detalhe)retratam uma intrincada e atraente narrativa que abrange a história das Américas, que começa com o aztecas no México e terminando com o desenvolvimento da nossa sociedade industrial moderna. O mural compreende 24 cenas e aproximadamente 3,200 metros quadrados. (Fonte).

Diego Rivera
Rivera nasceu em Guanajato, em 1886 e morreu em 1957. Estudou na Academia de Bellas Artes de San Carlos, no México, e viajou para a Europa aos 21 anos, com uma bolsa de estudo, onde ficou até 1921. Conhece os principais movimentos artísticos da época, como o cubismo e o surrealismo e viaja por diversos países. Se encontrou com Picasso, conheceu Juan Gris e teve influências deste artista.



Mural de Diego Rivera, O homem numa encruzilhada / O homem controlador do universo, Palacio de Bellas Artes, México, 1935.

Este mural intitulado El hombre en una encrucijada foi encomendado 1930. Já muito afamado Rivera recebe encomendas de murais para o Detroit Institute of Arts e para o Rockefeller Center de Nova York. O mural encomendado pelo Rockefeller Center foi batizado por Rivera como “Homem na encruzilhada”. A obra apresenta o cenário ideológico da época, um embate de dois sistemas econômicos de produção: o capitalista e o socialista. Depois de receber inúmeras críticas por ter Rivera incluído o rosto de Lênin na mesma, Rockefeller Jr. tomou-a como ofensa e a pintura foi coberta por um tempo e finalmente destruída. Posteriormente o pintor reconstruiu-a no Palácio de Belas-Artes, na Cidade do México sendo então rebatizado de “O homem controlador do universo”, mas desta vez com algumas modificações, como por exemplo, a presença de Rockefeller Jr de maneira um tanto quanto sinistra, enigmática. Portanto, ironicamente do lado esquerdo do mural encontra-se Rockefeller Jr engravatado e semi-encoberto por uma grande hélice, cercado por pessoas comuns e ostentando um enorme anel de ouro. Também estão retratados Charles Darwin, Vladmir Lênin, Leon Trotsky e Karl Marx.
Fonte: RUSSELL, André. Lênin apagado: Diego Rivera e o muralismo bolchevique. Disponível em: http://www.historianos.art.br/. Acesso em 2009.

Cândido Portinari
Candido Portinari nasce no dia 30 de dezembro de 1903, numa fazenda de café, em Brodósqui, no interior do Estado de São Paulo, morreu em 6 de fevereiro de 1962, intoxicado pelas tintas. Em 1928 conquista o Prêmio de Viagem ao Estrangeiro, da Exposição Geral de Belas-Artes, de tradição acadêmica. Parte em 1929 para Paris, onde permanece até 1930.Longe de sua pátria, saudoso de sua gente, decide ao voltar ao Brasil, no início de 1931, retratar em suas telas o povo brasileiro, superando aos poucos sua formação acadêmica e fundindo à ciência antiga da pintura, uma personalidade moderna e experimentalista.


Desbravamento da Mata
1941
Pintura mural a têmpera
316 x 431cm
Washington, D.C.
Assinada e datada no canto inferior esquerdo "PORTINARI 1941"
Library of Congress, Washington, D.C.,USA


Os murais de Portinari possuem uma identificação com os temas da pátria, como os ciclos econômicos, a chegada dos portugueses ao Brasil, os heróis nacionais como Tiradentes, a exploração da mão de obra escrava tanto dos povos indígenas quanto dos negros. Nesse mural, “Desbravamento da Mata”, Portinari retrata as entradas rumo ao oeste das terras brasileiras, então colônia de Portugal, as Bandeiras. Fonte: http://www.portinari.org.br/

Di Cavalcanti
Emiliano Di Cavalcanti nasceu em 1897, no Rio de Janeiro, na casa de José do Patrocínio, que era casado com uma tia do futuro pintor. Falece no Rio de Janeiro em 26 de Outubro de 1976. Di Cavalcanti freqüenta o atelier do impressionista George Elpons e torna-se amigo de Mário e Oswald de Andrade. Faz sua primeira viagem à Europa em 1923, permanecendo em Paris até 1925. Freqüenta a Academia Ranson. Expõe em diversas cidades: Londres, Berlim, Bruxelas, Amsterdan e Paris. Conhece Picasso, Léger, Matisse, Eric Satie, Jean Cocteau e outros intelectuais franceses. Retorna ao Brasil em 1926 e ingressa no Partido Comunista. Segue fazendo ilustrações. Faz nova viagem a Paris e cria os painéis de decoração do Teatro João Caetano no Rio de Janeiro.



Murais de Di Cavalcanti no Teatro João Caetano (Detalhe). Óleo sobre parede. 4,5 x 5,5m. 1931.


Apesar de sua obra ser predominantemente de pintura em tela, Di Cavalcanti também realizou alguns murais, como este. Os painéis de temática musical do pintor Di Cavalcanti foram pintados a óleo diretamente sobre a parede do foyer superior. As datas 1931 e 1964 grafadas sob a assinatura registram respectivamente o ano da pintura e o da intervenção feita pelo autor mesmo. Na obra estão presentes as características que irão se tornar assinatura de sua obra: As formas volumosas das figuras, o bronzeado dos personagens numa referência clara à miscigenação e uma das, ou talvez a temática predileta: as mulatas.

Fontes:http://www.dicavalcanti.com.br/ http://www.inepac.rj.gov.br/

D.J. Oliveira
Já conhecemos a biografia de D.J. Oliveira e as imagens do mural feito por ele na UFG. Mas Oliveira realizou inúmeros murais ao longo de sua carreira. Um particularmente interessante é esse, realizado em Palmas, no Tocantins, no Palácio Araguaia. As cenas são de diferentes períodos da história, mostradas em simultaneidade. A cena inicia-se com a igreja e termina com o discurso de comemoração do governador pela divisão do estado de Tocantins. As cenas mostram os personagens em diferentes situações e em contextos e espaços diversos. A obra possui doze metros de comprimento e é uma síntese da história de criação do estado.
Fonte: GOYA, Edna de Jesus. A Gravura Como Meio de Comunicação: Processo de Criação de D.J. Oliveira. Tese de doutorado, São Paulo, 2006.








História do Estado do Tocantins. Acrílico sobre aglomerado, 2,20 x 12 m, 2002.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

O que é Patrimônio?

De um jeito ou de outro sempre topamos com essa palavra por aí: “patrimônio”. Seja em etiquetas coladas em objetos de instituições públicas, em periódicos, na mídia televisiva, etc. Mas o que vem a ser efetivamente “patrimônio”?
No dicionário patrimônio é classificado assim:

Substantivo Masculino.
1. Herança paterna.
2. Bens de família.
3. Bens necessários para tomar ordens eclesiásticas.

Mas vamos ampliar esse conceito. Patrimônio também é nossa herança cultural e histórica, ou como diz a Unesco, (Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura) “O patrimônio é o legado que recebemos do passado, vivemos no presente e transmitimos às futuras gerações. Nosso patrimônio cultural e natural é fonte insubstituível de vida e inspiração, nossa pedra de toque, nosso ponto de referência, nossa identidade.” É por isso que o patrimônio é tão importante, porque nele nós nos apoiamos para construir o futuro e analisar o presente com um olhar mais agudo. A partir do patrimônio, seja ele natural ou cultural, que construímos quem somos. Mas o que é Patrimônio Natural? Bom, como o nome já diz, é da natureza, dado pela natureza. Ou em termos técnicos, de acordo com a Convenção do Patrimônio Mundial de 1972 da Unesco:
“- Os monumentos naturais constituídos por formações físicas e biológicas ou por grupos de tais formações com valor universal excepcional do ponto de vista estético ou científico;
- As formações geológicas e fisiográficas e as zonas estritamente delimitadas que constituem habitat de espécies animais e vegetais ameaçadas, com valor universal excepcional do ponto de vista da ciência ou da conservação;
- Os locais de interesse naturais ou zonas naturais estritamente delimitadas, com valor universal excepcional do ponto de vista da ciência, conservação ou beleza natural”.

Mas, será que podemos ver algum exemplo de patrimônio natural? Claro! Um exemplo são os Parques Naturais de Ischigualasto e Talampaya na Argentina, o Parque Nacional das Emas e Chapada dos Veadeiros no Brasil, em Goiás. Certo?!















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Mas e o Patrimônio Cultural? De acordo com a mesma Convenção de 1972, Patrimônio Cultural são:
“Os monumentos: obras arquitectónicas, de escultura ou de pintura monumentais, elementos de estruturas de carácter arqueológico, inscrições, grutas e grupos de elementos com valor universal excepcional do ponto de vista da história, da arte ou da ciência;
- Os conjuntos: grupos de construções isolados ou reunidos que, em virtude da sua arquitectura, unidade ou integração na paisagem, têm valor universal excepcional do ponto de vista da história, da arte ou da ciência;
- Os locais de interesse: obras do homem, ou obras conjugadas do homem e da natureza, e as zonas, incluindo os sítios arqueológicos, com um valor universal excepcional do ponto de vista histórico, estético, etnológico ou antropológico”.

Exemplos? O Santuário Shinto de Itsukushima, no Japão, e no Brasil: Brasília, Ouro Preto e o Centro Histórico da Cidade de Goiás.




















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Todos os patrimônios dados como exemplos são reconhecidos pela Unesco. Mas não precisamos de rótulos para identificar e preservar os patrimônios de nossa cidade e de nossa cultura. Temos o dever de preservar nossa memória, porque se nos tornarmos amnésicos em busca apenas do imediato e do consumível descartável, nós mesmos nos tornaremos... descartáveis!

domingo, 5 de julho de 2009

Vamos ao Museu?


Se você é um arte-educador e já passou pela experiência de guiar uma turma de alunos até um museu, galeria ou exposição de arte, pode já ter vivido um dilema: Existe um modo correto de se comportar nesses locais?
Nós, do blog MURAL D.J. OLIVEIRA, fizemos um levantamento dos procedimentos adotados para se frequentar estes espaços, ou instituições. Vamos ver agora algumas das principais atitudes mais comuns, ou recomendações orientadas para os visitantes; Cada museu ou galeria de arte acaba estabelecendo normas próprias para visitação, vamos ver as mais comuns:

*Não é permitido consumir alimentos e bebidas, de qualquer espécie, inclusive chicletes e balas no espaço expositivo;

*Correr, dispensar-se do grupo , falar alto e utilizar o celular, são comportamentos inadequados;

*A captação de imagens, em vídeo, apenas pode ser realizada com autorização prévia do setor de assessoria de imprensa. A captação de imagem (especilamente de acervos históricos) por meio de fotografia, só é permitida sem a utilização de flash, devido aos raios UV e fora do horário da visita agendada;

*Para a segurança e conservação das obras não é permitido tocar nas peças do museu, incluindo as paredes, painéis e colunas do edifício. Manter a distância adequada, de pelo menos 50 cm das obras, incluindo as bases das esculturas.
* Observar as faixas de segurança em torno das obras e placas de orientação.

*Só poderão ser utilizados bonés com a aba virada para trás para evitar o contato com as obras;

*O grupo, deve ter em média vinte alunos, que deverá ser acompanhado por pelo menos duas pessoas, que serão responsáveis pela condução e comportamento dos mesmos dentro do espaço do museu, devendo permanecer juntos ao grupo durante todo o tempo da visita educativa;

*Entrada de animais dentro dos espaços do museu;

*Fumar;

*Usar celular durante as visitas;

*Mochilas, sacolas, pacotes, malas e guarda-chuvas deverão ser deixados no guarda volumes;

*Por questão de segurança não é permitido filmar os ambientes do Museu;

Quase sempre estes locais possuem monitores ou seguranças, que ajudam a acompanhar os visitantes para que se mantenham em sintonia respeitosa com as obras expostas.
E quanto às obras que ficam, a céu aberto, em lugares públicos, que é o caso dos monumentos, estátuas, murais e obras públicas?
Bom, nesse caso, o que conta é a consciência dos moradores e visitantes da cidade. Desde o século XV que Leon Battista Alberti, arquiteto e escritor dos assuntos de arte, do seu tempo, já sabia que “para nenhuma obra existe maior segurança contra a violência e o dano do que ... a dignidade”. Por isso a educação e uma vida digna acabam por tornar a relação dos cidadãos com sua cidade e seu país e, consequentemente, com o patrimônio e a cultura, uma relação de respeito, cuidado e consciência a respeito da importância da conservação do patrimônio cultural e artístico.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Processo de criação do mural: Depoimento de D.J. Oliveira

Esse depoimento [1], de D.J. Oliveira, relata o passo-a-passo do processo de criação do mural da Universidade Federal de Goiás.

"Esse mural, no Colégio Universitário (Restaurante da UFG), foi o seguinte: eu, contratado pra fazer esses murais que, aliás, pra mim, foi um grande desafio, pra época, porque, eu posso dizer que nesse campo do mural eu não posso dizer que foi uma coisa que eu desenvolvi assim muito sozinho. Apesar da pouca experiência que eu adquiri, fora daqui, meu aprendizado, na minha juventude, fora daqui, quando eu estava em São Paulo... Mas como era uma área muito enorme, eu nunca tinha trabalhado numa área grande, pelo seguinte: o mural ele tem uma dimensão... Ele tem função, geralmente, ele tem a função de ilustrar aquela entidade que o representa. Pra mim, foi muito difícil porque, além da área ser grande eu era... Na realidade, não tinha nenhum tema pra ser feito. Foi pela primeira vez que eu me senti bastante angustiado em criar uma obra de arte, porque eu senti que era uma grande responsabilidade minha fazer um trabalho naquela altura, para a Universidade, em que o campo de cultura e de Ensino fosse contemplado. Foi bastante desafiante. Eu posso dizer que, todas as tentativas, nos estudos, que eu ia fazendo, nenhuma delas me traziam nenhuma satisfação, principalmente, no que se refere ao que está relacionado a ala do direito, de quem olha... De grande... Enquanto que a da esquerda não foi grande a dificuldade porque esta relacionada com a economia do Estado de Goiás, porque os meninos podem perceber que são os outros. O garimpo foi o que motivou a criação do Estado, que foi a descoberta de Goiás, através das bandeiras.












FIGURA 1 – Parte do primeiro Esboço do Mural da UFG, 1966.
Figura 2 – O Mural é Composto de 8 Células: 1(Mineração), 2(Agricultura), 3 (Pecuária),
Mural da UFG (D. J. Oliveira, 1966)As figuras acima e abaixo referem-se ao Mural original, feito em 1966



Logo em seguida ao da Agricultura, em seguida a Pecuária, esse até não foi difícil, inclusive, por ele ta ligado, porque até também é um restaurante. Mas... Os outros... Foi um desafio muito grande porque eu queria... Desejava ilustrar o ensino de cada Faculdade e cada vez que eu me dirigia á minha prancheta pra fazer meu estudo, nenhum deles me satisfazia. O tempo foi passando, o pessoal ia me cobrando o estudo, eu não conseguia fazer o estudo. Eu fiquei mesmo a ponto de desistir da execução do mural. Nunca me senti assim, com tanto problema pra executar um trabalho, como aquele, dado a minha responsabilidade e pelo local que eu ia fazer o mural. Mas eu me lembro que ele surgiu assim... Como todo grande trabalho de arte, a meu ver, ele deve nascer da experiência pessoal que a gente vive, da experiência que a gente tem com relação à vida, com relação com o que a gente faz. Foi, esse mural surgiu de uma maneira muito interessante! Após grande sacrifício. Eu já estava completamente desanimado, era um dia... Não me lembro qual, pra criar esse mural, me lembro que era exatamente neste mês de novembro e, de repente, o tempo ficava carregado (nublado) nessa época de versão. Chove muito! E, lá naquela época, lá em cima, na Universidade, não era asfaltado, não era nada, e até tinha muita casa de invasões, e o Mural surgiu assim. Eu falei: mas não é possível que nada vai me surgir. Eu saí olhando à janela, fora, observando, e vi que depois dessa chuva forte, então, eu notei que as crianças saiam pra rua, e entravam naquela casca de buriti e desciam enxurrada abaixo. Então, eu fiquei observando aquilo, várias horas, aqueles meninos brincado com aquilo, e ai que surgiu a idéia, entende? Eu falei, ta ai à minha frente, na minha vista: “brinquedos” de menino, brinquedos de crianças. Foi daí que me surgiu as idéias, então, eu comecei, evidentemente, baseado-me outra vez na minha própria experiência, na minha infância. Eu, então, simbolicamente, eu fui criando brinquedos infantis e cada um relacionado com cada faculdade. Foi a partir daquela observação, daquele momento, único, é que surgiram as idéias. Então, você nota o seguinte: no primeiro plano, você tem uma gangorra, que é aquele balanço sobre uma tábua, que os meninos se sentam, que tem nas pracinhas, nos jardins. Ali, então, aquela gangorra, pra mim, eu quis representar, simbolicamente, como se fosse uma balança, dirigida á faculdade de Direito. Em seguida, vem uma outra, digamos assim, vê se eu me lembro... Que é um menino, pegando uma bola, brincando com bola. São três crianças, brincando com a bola. Então, eu relacionei com a Filosofia, com lado das letras, com o pensamento. Depois vem um outro que são meninos brincando com bola de gude, que é uma brincadeira que a gente faz uma incisão no chão, aonde, então, a gente vai fazendo aquelas bolas de vidro... Eu dirigi aquele mural á Medicina. Depois tem um outro que são os meninos soltando “barrilê”, papagaio. Eu fiz dirigindo á faculdade de Artes, que é o sonho, que são aquelas fantasias que a gente teve. E, por último, aquele menino jogando peão, que eu fiz relacionado á Arquitetura e Engenharia.

E, por último, aquele menino jogando peão que eu fiz relacionado á Arquitetura e Engenharia, quer dizer, que, simbolicamente, os trabalhos surgiu assim. A partir daí, o maior sacrifício era realizar o trabalho, o mural é bastante difícil, muito complicado, mas como vocês vêem o problema, fundamental de uma obra de arte, é criar essa obra de arte e, muitas vezes, não adianta recorrer a uma série de conhecimentos, a uma série de pesquisas, feita através de cultura, feita através de livro, nada, porque são muito importantes as experiências da vida, de cada momento, que você vai vivendo. E, esse Mural, eu gosto muito dele por ter nascido, exatamente, no próprio ambiente que no momento eu estava vivendo, que era na Escola de Belas Artes, aonde eu tinha o meu atelier. Fui feliz, eu acredito, estão, lá, são bastante simbólicos, bem representativos.

Sobre o modo de execução e a técnica, fala D. J. Oliveira:

E, tanto a da Federal como o da Maria Auxiliadora, foi feito numa técnica que nós chamamos de afresco. Quer dizer, afresco é pintar sobre uma parede úmida, molhada, quer dizer a parede tem que estar fresca, pra ser pintada. É simples, é uma massa normal, de pedreiros, que ele fazem, com exceção que só não vai um elemento que é o cimento, é feito areia e cal. A gente prepara isso e são várias camadas de areia e cal, até que a última camada é mais cal do que areia porque na casa é cal que é o fixador. Na realidade, é muito simples, as cores são pigmentos, são tinta em pó, misturada na água, com água só e pintada diretamente sobre a parede, só que pintada enquanto essa parede continua úmida, daí a palavra pintura em afresco.


Sobre a Primeira Restauração do Mural:

E, ele passou por uma restauração porque é seguinte: O trabalho de Mural depende de uma série de problemas que ele tenha um grande futuro. Normalmente, a gente é contatada para este tipo de trabalho quando o edifício já está em andamento, então a gente encontra uma série de dificuldade, você não pode exigir tido, você já começa o trabalho com as paredes levantadas, muitas vezes não estão feitas como deve ser. E apesar de todo o cuidado que eu tive ele acabou apresentando alguns problemas, que nem está relacionado diretamente com o meu trabalho, aquilo já é um trabalho de estrutura do próprio edifício, eu restaurei foram as trincas que deu nas paredes, porque a estrutura do edifício, o edifício teve assim movimento intenso demais, talvez seja problema de engenharia, então deu trincas enormes nas paredes, ele trincou muito profundamente a ponto de gente enxergar do outro lado, você vê até a parte interior do edifício. Então, na realidade, o que eu fiz, mais lá, foi restaurar essa espécie de estajo. Enquanto que a pintura continuou tendo bastante resistência. Eu que restaurei, e mesmo porque nesse período que nos atravessamos um período negro da história do Brasil que foi de 1964 até o ano passado, então os estudantes faziam muito movimento até e muitas vezes eles sujaram, escreveram nas paredes e u também tive grande trabalho de ter que restaurar aquilo.

E, houve um período no Brasil que as Artes Plásticas estavam muito ligada á Arquitetura e talvez nesse último 20 anos, não sei, mas teria com você explicar pra gente ou não, porque não acontece mais isto, por exemplo, está construindo ali, o Governo está construindo um edifício ali imenso, o Palácio da Justiça e não se deixou, por exemplo, um espaço reservado para um mural ou escultura, enfim, está havendo uma certa desvinculação...

Bem, o problema é assim um pouco difícil de explicar pelo seguinte, eu acredito que a arte depende de momentos culturais que se vive. Eu acredito que Goiás está vivendo em momento cultural assim muito difícil, estamos passando por um período de transição político, de Governo, a gente nunca sabe o certo se é porque os governos estão interessados na política ou não, mas, de qualquer forma eu possa te dizer que a arte sempre teve ligado á Arquitetura, ela nunca teve, assim, separada, de qualquer forma, principalmente no campo de mural, o mural é uma coisa totalmente ligada á Arquitetura, porque quando eu fui professor na escola, durante meu tempo de professor na escola, isso ai era normal, naquele tempo a gente ensinava a maneira de aplicar mural junto com a arquitetura. E, se hoje isso não ta acontecendo é porque, entende? Nós estamos passando umas fazes assim muito difícil, eu acho que isso é questão mais de cultura.


Células 4 (Gangorra), 6 (Soltando Pipa), 7 (Bola de Gude).
Existe um pouco a questão de custo também, nisso. Eu acho que, por exemplo, quando se desenvolve um projeto de arquitetura, através de determinados elementos decorativos, é que se abre. Vamos produzir um painel numa fachada, por exemplo, mas, eu acho que inviável ainda contratar um artista plástico pra desenvolver um painel, porque eu não sei embora em termos de custo, mas é uma coisa que se tornou bastante eletrizante vamos dizer, assim, quem pode mandar contratar um profissional pra decorar em projeto.

É, difícil, sim, eu posso dizer pra você o seguinte: todos os murais que eu executei até agora eu posso dizer que nenhum deles não deu lucro. Muita gente pensa que, todo esse trabalho que eu fiz na área de mural, se for somar todos em metros quadrados (M2) eu acho que eu devo ter uma questão de 1.200 M2 de murais pintados em Goiânia, só na Maria Auxiliadora tem 164 m2, o da Universidade lá em cima lembro ao todo dá quase 200 m2; ajuntando com os demais, eu vou dizer que eu pintei aqui pelo menos de 1.000 a 1.200 m2de murais, de painéis, os que estão presentes, em dizer o que já foram destruídos que foi uma média de 6 a 8 murais que foram destruídos.

Nenhum deles me trouxe nenhum lucro, eu trabalhei apenas como um artesão, melhor pago, como um operário melhor pago, porque na realidade se for computar, cobrar o que vale, é um trabalho bastante caro, mas eu acho que isso não tem nada de ver, porque eu acho que +e uma obrigação dos Órgãos Estaduais do Governo arcar com essas despesas, pagar, porque pode dizer que é bastante caro evidentemente, mais há muita coisa que é aplicada, nossas obras que muitas vezes que nada tem de ver entende, que esse dinheiro poderia muito bem ser revertido pra se contratar os artistas, os artistas pra poder fazer o trabalho.

É, exatamente quando eu tentei colocar a integração da arte coma arquitetura, naturalmente estaria voltado pras obras públicas, porque naturalmente a população no estado de carência, em que se encontra, torna-se um luxo, infelizmente a arte hoje, torna-se luxo, não se consegue fazer uma casa.

É, isso também depende de em obras publicas, por exemplo, eu não sei qual o trabalho assim importante que tenha feito eu termos obras publicas, dirigido pelo Governo aqui. (não entendi)

É, infelizmente me parece que o atual pensamento não gira em torno disso, o que traz bastante dificuldade, você pode ver que todas as grandes obras que eu fiz aqui em termos de mural pelas são todas elas obras particulares, evidentemente que houve um pouco de sacrifício da minha parte como houve da partes deles, por exemplo, no contrato desse Mural na Maria Auxiliadora, eu falei para as freiras que eu ai apresentar um orçamento na base do custo, e particularmente sem eu ter grandes lucros, pelo menos o suficiente pra poder trabalhar então eu acabei, que pra época já era muito por baixo, depois que elas somaram aquele m2 quadrado, elas disseram pra mim que era impossível executar esse trabalho porque com esse dinheiro e um pouco mais nos construímos outro colégio. Paredes levantardes, muitas vezes não estão feitas como deve ser. E apesar de todo o cuidado que eu tive ele acabou apresentado alguns problemas que nem está relacionado diretamente como meu trabalho; aquilo já é um trabalho de estrutura do próprio edifício; eu restaurei não foi à pintura que eu fiz, eu restaurei foram às trincas que deu nas paredes, porque a estrutura do edifício, o edifício teve assim meu movimento intenso demais, talvez seja problema de engenharia, então deu trincas profundamente a ponto da gente enxergar do outro nas paredes, ele trincou muito profundamente a ponto da gente enxergar do outro lado, você vê até a parte interior do edifício. Então, na realidade o que fiz mais lá foi restaurar essa espécie de estágio. Enquanto que a pintura continuou tenho bastante resistência. Eu que restaurei, e mesmo porque nesse período que nós atravessamos um período negro da historia do Brasil que foi de 1964 até o ano passado, então os estudantes faziam muito movimento ali e muitas vezes eles sujaram, escreveram nas paredes e eu também tive grande trabalho de ter que restaurar aquilo.

É, houve um período no Brasil que as Artes Plásticas estavam muito ligada á Arquitetura e talvez nesses ultima 20 anos, não sei, mais, teria como você explicar pra gente ou não, porque que não acontece mais isto, por exemplo, está se construindo ali, o Governo está construindo ali em edifício imenso, o Palácio da Justiça e não se deixou, por exemplo, um espaço reservado para um mural ou escultura, enfim, está havendo uma certa desvinculação...

Bem, o problema é assim um pouco difícil de explicar pelo seguinte, eu acredito que a arte depende de momentos culturais que se vive. Eu acredito que Goiás está vivendo um momento cultural assim muito difícil, estamos passando por um período de transição política, de Governo, a gente nunca sabe o certo se é porque os governos estão interessados na política ou não, mas, de qualquer forma eu possa te dizer que a arte sempre teve ligado, á Arquitetura, ela nunca teve assim separada, de qualquer forma, principalmente no campo de mural, o mural é uma coisa totalmente ligada á Arquitetura, porque quando eu fui professor na Escola, durante meu tempo de professor na Escola, isso ai era normal, naquele tempo a gente ensinava a maneira de aplicar mural junto com a Arquitetura. E, se hoje isso não ta acontecendo é porque, entendemos, nós estamos passando umas fazes assim muito difícil, eu acho que por isso é questão mais de cultura.
Existe um pouco a questão de custo também, nisso. Eu acho que, por exemplo, quando se desenvolve um projeto de arquitetura, através de determinados elementos decorativos, é que se abra, vamos produzir um painel numa fachada, por exemplo, mas, eu acho que pra grande parte da população seria meio inviável, muito mais plástico pra desenvolver um painel, porque eu não sei embora em termos de custo, mas é por ai vocês podem saber um que base eu executei esse mural.

Eu executei porque é o tal negocio, a gente tem uma certa responsabilidade e mesmo não é só a responsabilidade, eu acho que essa coisa me querer permanecer, de querer fazer, de querer mostrar até aonde a capacidade da gente vai e também a gente acha que isso é uma forma de qualquer maneira, da gente dar uma contribuição em termos culturais pra cidade e também um pouco do amor do próprio trabalho, eu diria que até, eu diria que amor á própria vaidade, supera a se mesmo, e isso exige bastante sacrifício, esse foi realmente um grande sacrifício porque você vê pelo que eu disse antes que elas argumentaram que elas construíram com outro Colégio, nessas alturas, você vê como eu teve que retroceder pra poder fazer o trabalho, na realidade o trabalho não me deu prejuízo, mas fui pago como um bom artesão, como um operário um pouco mais graduado, mas o que eu achei muito importante foi dar essa contribuição, fazer esse trabalho."
[1] OLIVEIRA, D. J. Palestra proferida pelo artista plástico DJ Oliveira intitulada Projeto reflexão e busca. Prefeitura de Goiânia, Secretaria Municipal de Cultura, Museu de Arte de Goiânia. Goiânia, 25 nov. 1985.

Conservar para não restaurar - A formação do professor de artes visuais

A necessidade da pesquisa sobre “A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO DA CONSERVAÇÃO DE PATRIMÕNIO ARTÍSTICO E CULTURAL NA FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE ARTE, ATRAVÉS DA RECUPERAÇÃO DO MURAL DA UFG, DE D. J. OLIVEIRA” dar-se-á pelo fato de se entender que não basta se habilitar o professor para formar o fruidor/consumidor, produto de arte e cultura ou o freqüentador de espaços artísticos e culturais, mas que este também seja capaz de desenvolver em seus alunos a sensibilidade para a permanência desses patrimônios, por meio da formação de uma consciência crítica sobre a conservação e preservação de seus bens imateriais, socialmente construídos, além de despertar os alunos o gosto por esta área de formação. É claro que se pretende também despertar a consciência de ambos – professor e alunos – para a questão da conservação e preservação mais amplamente, especialmente no que se refere ao patrimônio público, a exemplo da própria escola a que o aluno freqüenta, entendido pela sociedade como “coisa de ninguém”. A preocupação da pesquisa é trabalhar o conceito de “preservar” para não “restaurar”.
No ano de 1971 o ensino de artes passa a ser oficializado, na escola regular, na Segunda Fase do Ensino Fundamental (5ª à 8ª séries), pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação nº 5.692/71. Com a obrigatoriedade do ensino de arte surge a necessidade de se formar profissionais para atender a demanda. A partir de então se criam, no Brasil, em 1973, os primeiros cursos de formação do professor de artes, com as Licenciaturas Curtas, passando posteriormente à licenciatura plena, em nível de graduação.
Todavia, é importante lembrar que a primeira experiência de criação de cursos para formar professor de arte é goiana, com o curso de Professorado de Desenho. O curso nasce da reforma na EGBA, para atender à Lei n.º 4.464 de 9 de novembro de 1964, que propõe uma reorganização didática dos cursos, classificando-os em:
· curso de formação (graduação);
· curso de especialização profissional (curso livre em que o aluno se especializava em uma modalidade artística), e
· cursos extraordinários.
Por meio da criação do Curso de Arquitetura, a instituição buscava fortalecer as Artes e resgatar a Arquitetura, que havia sido desvinculada da ENBA, mesmo contra a vontade de diversos professores, como Jordão de Oliveira e Lúcio Costa.
Os alunos do curso de Formação de Professorado de Desenho, único à época regulamentado pelo MEC, é criado sob Parecer n.º 599/66, cursavam as disciplinas voltadas para a formação educacional: Psicologia da Educação, Elementos de Administração Escolar, Didática Geral, Didática Especial e Complementos de Matemática, na Faculdade de Filosofia.
No Instituto de Artes da Universidade Federal de Goiás, atual FAV/UFG, o curso de formação de professores de arte começa em 1974, com a Resolução nº 333 do CCEP, que fixa o currículo pleno do Curso de Licenciatura em Educação Artística. No currículo foi observado que os assuntos conservação e recuperação não fazem parte da grade curricular.
De 1973 para cá muitas mudanças ocorreram nos currículos de Licenciatura, inclusive em relação à nomenclatura do curso, que passa de Educação Artística para Ensino de Arte, a partir de 2005. Conseqüentemente acontecem mudanças quanto à Grade Curricular. Mas os assuntos conservação e recuperação continuam a não fazer parte das grades dos cursos de formação de professores de arte da FAV/UFG.
Também acontecem mudanças no que se refere a normatização desse ensino na escola regular, que passa a ser considerado como área de conhecimento e não mais “Atividade” dentro do Currículo de Comunicação e Expressão, como deliberava a antiga LDB/1971. Com a LDB nº 9.394/96, a arte torna-se área de conhecimento, como qualquer outra área, portanto obrigatório, nas escolas oficiais, de Segunda Fase do Ensino Fundamental e Médio.
Todavia, embora se perceba que os currículos que tratam da formação do professor de arte tenham sofrido várias alterações desde sua criação e tenha avançado, em meados da década de 90, ainda assim serão necessárias novas mudanças. No novo currículo da FAV/UFG, implementado a partir de 2001, muitas inovações aconteceram, com à inclusão de muitas questões novas, pertinentes à formação desse profissional, a exemplo do aumento da carga horária de estágio, que passa de 128 horas (de 1 ano) para mais de 416, passando para dois anos e meio ou 5 semestres, privilegiando a escola pública, formal e informal.
Também foi acrescentado ao currículo à elaboração do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), que proporciona ao aluno maturidade, pois lhe permite elaborar um projeto de ensino de arte e colocá-lo em ação na escola. Também é inserido no currículo o termo Cultura Popular, antes Folclore Brasileiro, entre outros assuntos. Todavia, ainda se percebe que muito outros temas ainda precisam ser inseridos no currículo do curso de formação de professore de arte, a exemplo de noções de Antropologia da Arte e de Psicologia da Arte.
Um outro tema que não pode ser esquecido e que deverá fazer parte da formação do professor são as orientações sobre frequentação[1] a espaços artísticos e culturais. O professor de arte é o responsável pela formação de hábitos, atitudes e comportamento frentes aos espaços artísticos e culturais, cabendo a ele ter ainda noções de conservação e recuperação de obras, assuntos que são Elementos de Museologia, disciplina da Grade Curricular do curso de Graduação, em Artes, da ECA/USP e hoje da PUC/SP, que orienta sobre restauração e Conservação.
Analisando os cursos de artes, oferecidos pelas Universidades Federais e Estaduais, de 26 estados brasileiros, e um do distrito Federal, constatamos um total de 71 Universidades entre Federais e Estaduais, e constatamos que em apenas onze (11) são oferecidos o curso de Artes Visuais – Bacharelado ou Licenciatura. Destas, apenas duas (2), a Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG e a ECA/USP têm em seu currículo, matérias relacionadas aos Elementos de Museologia: conservação de obras de artes.Também foi constatado que dos três estados formadores da região Centro Oeste nenhuma Universidade ou Faculdade, Federal ou Estadual, apresentam nos seus cursos de licenciatura, em artes, matérias direcionadas a Elementos de Museologia, o que obriga aos futuros professores de artes, ou interessados na área da conservação de obras de artes do estado de Goiás a se deslocarem para outros estados à procura de especializações e cursos técnicos na área.
A necessidade desses assuntos é para dar orientações ao professor, para que ele possa discutir esses temas em sala de aula, pois além de desenvolver no aluno atitudes de freqüentação a espaços artísticos e culturais poderá dar noções sobre Conservação e Preservação do Patrimônio Artístico e Cultural, pois é ao profissional da arte-educação que cabe a responsabilidade de fazer, pelos conteúdos, a mediação dos bens artísticos e culturais à escola, para formar não somente o consumidor de arte e cultura, mais também um conhecedor e produtor mais atuante e crítico.
O tema Conservação e Preservação do Patrimônio Artístico e Cultural, Elementos da Museologia têm papel fundamental para se desenvolver no futuro professor, conseqüentemente no aluno de arte, a consciência de que os bens Artísticos e Culturais são patrimônios públicos, portanto, pertencentes a todas as sociedades. São produtos socialmente construídos, mas que para serem apreciados/fruídos/visitados será necessário que a sociedade os conserve, ou seja, ela precisa ser alfabetizada visualmente, para compreender seus códigos de leitura pelo domínio da Gramática visual, mas que esse processo somente será possível se houver conservação/recuperação para que as gerações futuras possam conhecer as suas memórias.
A necessidade de uma formação, nesta área, para o professor, dá-se por se ver muitas obras de arte, na capital goiana, sendo destruídas, a exemplo do Mural da Praça Universitária. Esta obra, no decorrer de sua existência, sofrera várias intervenções, físicas, inclusive destrutivas, por parte de vândalos, por desconhecerem a importância dessa obra, e de muitas outras, para a memória cultural da cidade. Observa-se ainda que outros bens como os da arquitetura da cidade de Goiânia, em estilo Art Decò, encontram-se comprometidas pela mesma sociedade que a contempla. Embora a apreciem/fruam também as destroem por não saber conservá-la ou não compreender o seu significado.
Com orientações nesta área o professor de arte estaria atento para incluir em seus programas de curso, no ensino Básico: Fundamental e Médio este assunto tão importante para a sobrevivência do patrimônio artístico cultural, ao formar um público não apenas capaz de apreciar/fruir a arte/cultura, mas também capaz de conservar a sua riqueza cultural e memória coletiva.
A proposta do projeto é aproveitar-se do processo de recuperação da obra para se produzir material didático para se discutir o assunto, forma de recuperar a lacuna que existe no atual currículo que trata da formação do professor de arte, elaborado pela FAV/UFG/2001-2003. O que queremos é dar aos alunos do Curso de Artes Visuais – Licenciatura a oportunidade de ter contato direto com essa área problemática da arte e levá-lo a conhecer e adquiri experiência, ainda que teoricamente neste assunto.
Quer-se colocar o aluno em contato com o trabalho do restaurador, para que conheça, de perto, o procedimento de recuperação de uma obra: os propósitos, os meios, os diferentes métodos, os materiais e os conceitos. Para tanto, o aluno, bolsista, deverá acompanhar os passos do processo de trabalho a ser desenvolvido pelo responsável pela recuperação da obra: discutir, registrar e fotografar os procedimentos, para que com os dados ele possa construir um texto que sirva de referência para o aluno do curso de arte e para os professores.
É claro que não se pode esquecer da necessidade de se formar um professor com uma visão mais abrangente, e que seja interessado pela pesquisa, sem se esquecer da capacidade dele de articulação das atividades de ensino, pesquisa e extensão. Essa experiência permitirá ao professor compreender o processo e mediar com mais segurança os seus conhecimentos.
Com a pesquisa o aluno/professor poderá ampliar os seus conhecimentos, conseqüentemente os seus gestos/ações de educar, ou seja, poderá descobrir pelo ensino possibilidades para a pesquisa e para a produção de novos saberes. Outra preocupação que nos leva a explorar a experiência de recuperação do mural na formação do professor é despertar o aluno para esta área do conhecimento que é a restauração, intrinsecamente relacionado à arte e seu ensino.
A recuperação do Mural da UFG vem ressaltar ainda a preocupação e o esforço da Faculdade de Artes Visuais, da Universidade Federal de Goiás, para com a preservação do patrimônio cultural, não só da UFG, mas de toda a cidade, já que a obra – o Mural - faz parte dos bens imateriais da cultura goiana. Considera-se importante que a experiência de recuperação do Mural da UFG sirva de aprendizado para os alunos do Curso de Artes Visuais – Licenciatura, haja vista a raridade de se ter a oportunidade de tal aprendizado.
Além do desgaste natural e temporal da obra ela sofre o desgaste decorrente de agressões, físicas, praticadas por pixadores, pessoas que ainda não se atentaram para o valor das obras artísticas e para o patrimônio arquitetônico exposto na cidade de Goiânia e pelo país afora. Por não entenderem que o patrimônio pertence à todos é muito comum, em nosso país, visitantes de espaços culturais levarem para suas casas um pedacinho da obra visitada como lembrança.
Espera-se que a partir do acompanhamento do trabalho de recuperação da obra, que deverá ser feito in loco, e da elaboração do relatório, seja possível se desenvolver material didático, para a realização de ações educativas, em favor da educação para a compreensão e conservação do patrimônio artístico e cultural. As palestras, elaboradas a partir do relatório, serão realizadas para alunos do Curso de Artes Visuais – Licenciatura, e professores e do Ensino Básico: Fundamental e Médio, que atuem no ensino de arte.
[1] Fre.qu.en.tar  é um verbo transitivo e significa:ir repetidas vezes a qualquer lugar; conviver constantemente com; ver alguém amiudadas vezes; viver na intimidade de; consultar amiúde uma obra ou um autor; cursar. Substantivofre.qu.en.ta.ção feminino Acto ou efeito de frequentar; Conversação habitual; Trato. Obtido em http://pt.wiktionary.org/wiki/frequenta%C3%A7%C3%A3o